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Geografia das Estações (Rui Pires Cabral) 1ª Edição

 

Geografia das Estações 

(Poesia)

Rui Pires Cabral

Edição do autor. S\l, 1994. In-8.º, de 48 páginas. Dim: 20,9cm x 15cm. Brochado.

Capa de José Armando Ferreira sobre uma colagem do Autor

Esta obra foi seleccionada para a VII Bienal de Jovens Criadores da Europa e do Mediterrâneo que decorreu em Lisboa em Novembro de 1994, e é considerada, pelo Poeta Rui Pires Cabral , após algumas pequenas publicações e colaboração em revistas, como o seu  primeiro livro.

PRIMEIRA ESTAÇÃO

TRAVESSIA

"Nas nossas viagens atravessamos pequenos cursos de água 

apoiados no dorso flectido dos dedos de Deus. Não nos esquivamos 

às pedras afiadas nem poupamos à carne o seu destino. Descemos 

às regiões ásperas da noite, esfregando as mãos

nos rochedos protegidos. Utilizamos as nossas raízes 

para nos suspendermos das estrelas como criaturas habituadas 

a escarnecer de todas as leis. A respiração das árvores 

levanta-se nas ruas como um muro e nós estamos sozinhos 

como sempre estivemos. 


Nas nossas viagens segregamos sucos tóxicos 

e atacamos os herbívoros indefesos. Sentamo-nos ainda mais perto 

das coisas más, falando longamente de tudo 

o que nos magoa. Somos pertinazes como vespas e 

possuímos grandes olhos, motivo mais do que suficiente

para que se escreva um livro sobre nós. 

As palavras que dizemos enrolam-se nas fissuras 

que o ar sustenta e por isso os nossos sentimentos 

permanecem secretos como o coração dos frutos em 

dezembro. O nosso espelho está apontado às nuvens

e não raro perseguimos o seu trilho 

com os olhos molhados de saliva e os pés enterrados na lama. 


Nas nossas viagens permanecemos sitiados

na cela das nossas veias e caímos doentes no inverno. Os amigos 

visitam-nos com empatia nos dentes mas nós escondemo-nos 

atrás dos móveis, nos lugares onde 

a poeira faz desenhos arredados de toda a luz. Contra a nossa pele 

é quase o rasgar de uma outra madrugada. Sentimos 

o cair do pano como um rio intruso na cadeia das vértebras. 

Beijamo-nos. Despedimo-nos do público com uma vénia 

fatigada. Caminhamos indolentemente para o escuro 

com as mãos cruzadas sobre o peito."


Exemplar como novo. Rareiam no mercado os exemplares desta edição. 50€ 

Para encomendar, use, por favor, o endereço de email: livrosenarrativas@gmail.com , ou, o contacto telefónico: 91 667 34 09. Obrigado!

Entre o Azul e a Circunstância (António Cabral - Dedicatória)

 

Entre o Azul e a Circunstância
(Poesia)

António Cabral

Livros do Nordeste. Edição do autor. Vila Real, 1983. 1ª Edição. In-8.º, de 50 (6) páginas. Brochado.

Exemplar valorizado pela dedicatória manuscrita , datada de 24-4-88 e assinada por António Cabral para a sua colega de letras, a escritora Maria do Pilar Figueiredo.

Exemplar estimado. 25€


Para encomendar, use, por favor, o endereço de email: livrosenarrativas@gmail.com , ou, o contacto telefónico: 91 667 34 09. Obrigado!

O Mar e as Águias - Poesias de António Cabral

 

O Mar e as Águias

- Poesias de António Cabral -

António Cabral

Composto e impresso na Empresa Gráfica do Porto. Porto, 1956. In-4.º, de 74 (2) páginas. Dim: 21,7cm x 16,9cm. Brochado.

Trata-se do segundo livro de poesia de António Cabral.

"Outro Hino

Hão-de as coisas morrer,

Há-de o tempo rolar feito em pedaços,

Há-de sair de tudo o grito do que foi.


Mas... incêndio,

Quem poderá - a ti que és bem maior

Do que todas as águas -

Quem poderá fazer-te em cinza morta?


Hão-de as coisas morrer.

E tu, não.

Raiz de sangue a proclamar sem termo

A eternidade viva do que é vivo!


Boca de sol,

Dizendo, num ribombo de luz forte:

O que não foi vencido pela vida

Também o não será, não, pela morte."

Exemplar estimado.  30€