A Super-Realidade (Rui Pires Cabral) 1.ª Edição

 

A Super-Realidade

- poesia -

Rui Pires Cabral

Edição do autor. Impresso na Minerva Transmontana. Vila Real, 1995. 1.ª Edição. In-8.º, de 46 (2) páginas. Dim: 15cm x 21cm. Brochado.

"No Terreno

Foi por altura das ervas altas e das festas naturais.

Eu via-te outra vez no fim da tarde e tudo se apagava

à tua volta, os acidentes terrenos, as montanhas do passado

e do futuro. Por tua causa eu andava contente

nas ruínas, fazia as pazes com o tempo perdido.


Na estrada à meia-noite o asfalto era morno, os grilos 

estavam todos a cantar dentro do céu. Já não sei dizer

o muito que esperei de ti, os serões eram pródigos e tinham

os braços imprevistos de um fractal. E como tu me desvendavas

através das interferências, nas pausas do terreno onde eu 

retrocedia. Fumavas dos meus cigarros, contavas

a vida que tinhas a milhares de quilómetros dali.

Na minha própria e exclusiva escuridão,

eu já só existia para ti."


Exemplar como novo. Raro. 35€

Para encomendar, use, por favor, o endereço de email: livrosenarrativas@gmail.com , ou, o contacto telefónico: 91 667 34 09. Obrigado!

Geografia das Estações (Rui Pires Cabral) 1ª Edição

 

Geografia das Estações 

(Poesia)

Rui Pires Cabral

Edição do autor. S\l, 1994. In-8.º, de 48 páginas. Dim: 20,9cm x 15cm. Brochado.

Capa de José Armando Ferreira sobre uma colagem do Autor

Esta obra foi seleccionada para a VII Bienal de Jovens Criadores da Europa e do Mediterrâneo que decorreu em Lisboa em Novembro de 1994, e é considerada, pelo Poeta Rui Pires Cabral , após algumas pequenas publicações e colaboração em revistas, como o seu  primeiro livro.

PRIMEIRA ESTAÇÃO

TRAVESSIA

"Nas nossas viagens atravessamos pequenos cursos de água 

apoiados no dorso flectido dos dedos de Deus. Não nos esquivamos 

às pedras afiadas nem poupamos à carne o seu destino. Descemos 

às regiões ásperas da noite, esfregando as mãos

nos rochedos protegidos. Utilizamos as nossas raízes 

para nos suspendermos das estrelas como criaturas habituadas 

a escarnecer de todas as leis. A respiração das árvores 

levanta-se nas ruas como um muro e nós estamos sozinhos 

como sempre estivemos. 


Nas nossas viagens segregamos sucos tóxicos 

e atacamos os herbívoros indefesos. Sentamo-nos ainda mais perto 

das coisas más, falando longamente de tudo 

o que nos magoa. Somos pertinazes como vespas e 

possuímos grandes olhos, motivo mais do que suficiente

para que se escreva um livro sobre nós. 

As palavras que dizemos enrolam-se nas fissuras 

que o ar sustenta e por isso os nossos sentimentos 

permanecem secretos como o coração dos frutos em 

dezembro. O nosso espelho está apontado às nuvens

e não raro perseguimos o seu trilho 

com os olhos molhados de saliva e os pés enterrados na lama. 


Nas nossas viagens permanecemos sitiados

na cela das nossas veias e caímos doentes no inverno. Os amigos 

visitam-nos com empatia nos dentes mas nós escondemo-nos 

atrás dos móveis, nos lugares onde 

a poeira faz desenhos arredados de toda a luz. Contra a nossa pele 

é quase o rasgar de uma outra madrugada. Sentimos 

o cair do pano como um rio intruso na cadeia das vértebras. 

Beijamo-nos. Despedimo-nos do público com uma vénia 

fatigada. Caminhamos indolentemente para o escuro 

com as mãos cruzadas sobre o peito."


Exemplar como novo. Rareiam no mercado os exemplares desta edição. 50€ 

Para encomendar, use, por favor, o endereço de email: livrosenarrativas@gmail.com , ou, o contacto telefónico: 91 667 34 09. Obrigado!